quinta-feira, 26 de maio de 2011

A ciência da paz.

Por Regina de Faria

          Temos consciência de que o homem contemporâneo convive diariamente com situações estressantes um dos resultados de uma sociedade pautada na competitividade e consumismo exacerbados. O stress considerado uma doença a partir da década dos anos 90 é proveniente de uma vida agitada e corrida cheia de afazeres e preocupações e atinge as pessoas independente de sua classe social, faixa etária, cor ou religião.
        Em cada esquina que atravessamos já existe uma ciência do conflito e da guerra instalada, por isto passou a ser essencial a renovação de nossas reservas de paciência interior. A condição de saúde em plenitude neste novo milênio exige sabedoria, considerada o instrumento fundamental para a tão necessária ciência da paz. Precisamos inverter este círculo vicioso da violência no círculo virtuoso da serenidade e da ternura. Mas essa tarefa não é tão simples, pois este conhecimento ainda não habita o currículo de nossas escolas. É necessário aprender com a vida. Cada dia nos traz uma lição e com certeza, as pedras de tropeço podem se transformar na motivação para a busca de paz interior.
        Pierre Weil (1924-2008), doutor em Psicologia pela Universidade de Paris, após uma crise existencial seguida de um câncer dedica-se de corpo e alma à pesquisa e ao estabelecimento de uma cultura para a paz. A UNIPAZ foi criada em 1987 e ele passa a ser o seu presidente. Em 1989 Pierre Weil elabora uma teoria sobre a gênese da destruição da vida sobre o Planeta e sobre os princípios e abordagens que possibilitam um novo método de Educação para a paz. Ele segue em sua abordagem as recomendações do preâmbulo da UNESCO (organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e cultura) que afirma: “As guerras nascem no espírito dos homens, e é nele, primeiramente, que devem ser erguidos os baluartes da paz.”.
         Esta nova concepção se apóia na trilogia integrativa de três aspectos da Paz, a saber:
        1- A Paz consigo próprio, denominada Ecologia e Consciência individuais e atua nos planos do corpo, das emoções e do espírito;
       2- A Paz com os outros, denominada de Ecologia e Consciência Sociais e atua nos planos da economia, da sociedade, da política e da cultura;
        3- A Paz com a natureza, denominada de Ecologia e Consciência do Universo e atua nos planos da matéria, da vida e da informação.
        Este novo modelo de educação foi desenvolvido em diversas modalidades e workshops que estão sendo desenvolvidos em todo o mundo com o apoio da UNESCO e parte do pressuposto de que a violência pode ser banida imediatamente de todos os níveis da vida, mas é necessário que os homens escolham com audácia, imaginação e determinação o caminho da paz. Porque ele não é o único. Existe também a trilha sombria que conduz à desordem e à guerra e que tem o poder de nos indignar comprometendo também nossa paz interior.
         Diversas e diferentes tradições espirituais apresentam caminhos para a busca da paz interior. Para os cristãos a verdadeira paz é apresentada pela fé e pela graça de aceitar Jesus como o dom de Deus e a garantia de perfeição e segurança do homem. Através da simbologia da cruz, tudo aquilo de que o homem tem necessidade, tanto no plano horizontal, visto como suas necessidades materiais, quanto no plano vertical pela necessária evolução espiritual, Jesus responde em suas célebres autoapresentações: “Eu sou – o pão, a paz, o pastor, a porta (de acesso ao Pai), a ressurreição e a vida, o caminho, a verdade e a vida.” Viver em comunhão com Deus significa ser feliz. O amor é a experiência central do cristianismo. Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo e com certeza a natureza já estava subtendida neste mandamento.
         Jesus Cristo diz a todos os que crêem nEle: "Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou; não vo-la dou como a dá o mundo. Não se turbe o vosso coração" (Jo 14.27b).




Regina de Faria Brito
Presidente SINDIANÁPOLIS

segunda-feira, 9 de maio de 2011


TRANS FORMAR-SE
APESAR DO TRÂNSITO

Por Regina de Faria

          O século XXI tem sido considerado o da globalização da economia aliada à velocidade de informação. Já o século XX foi caracterizado pelo crescimento das cidades atingindo níveis de urbanização na casa dos 85%. Desta forma, um dos grandes desafios que as cidades encontram, é como conciliar os atributos da vida urbana, tais como veículos, pessoas e lixo, tendo em vista a preservação de um meio ambiente “saudável” (se é que se considera isto possível).
          Na maioria das cidades brasileiras de médio e grande porte está praticamente inviável transitar pelas ruas, principalmente em horários de pico. O serviço de transporte coletivo precário e o crédito facilitado resultam na aquisição fácil de veículos que sobrecarregam as ruas com excessiva utilização de meios de locomoção individuais. A relação “espaço-tempo” tão importante nas relações urbanas está caminhando cada dia mais na contramão. A ausência de políticas públicas, tais como plano diretor de transporte e circulação nos municípios, que poderiam atenuar os conflitos de mobilidade urbana vem agravar ainda mais o quadro negro do trânsito nas cidades.
          Por ser um tema que nos aflige cotidianamente sugiro que na próxima vez que você se encontrar no trânsito faça uma experiência de “plena atenção” observando como as pessoas se comportam. Alguns motoristas estarão calmamente falando ao celular, transformando seus veículos em escritório pessoal, ao mesmo tempo em que dirige desconsiderando as normas de trânsito. Outros excessivamente ansiosos vão extravasar sua irritação no volante ou na buzina. Alguns pertencentes a categoria dos que são melhores do que os demais mortais vão burlar as lei em vigor para tirar vantagens.(Ahhh como estes conseguem nos tirar do sério...). Já uma minoria vai conseguir controlar seu estado de stress e buscar nos arquivos mentais técnicas de autocontrole e com esforço sobrenatural vão conseguir dirigir com tranquilidade.
          Entrevistas realizadas para sustentar a tese de mestrado da psicóloga Gislene Maia de Macedo da Universidade de São Paulo demonstram que nove em cada dez pessoas ficam tremendamente irritadas ao serem cortadas por “apressadinhos” de plantão. Três em cada dez assumem exceder os limites de velocidade estipulados sendo responsáveis pela maioria dos acidentes e quatro em cada dez reconhecem reagir com hostilidade com gestos, gritos e com certeza a mão na buzina.
         Pesquisadores também concluíram que a agressividade ao volante está associada ao temperamento dos motoristas. Acredito que é no trânsito que nosso lado sombra aparece e aí pouquíssimas pessoas conseguirão manter-se imune a reações irracionais. Psicoterapeutas afirmam que, "Situações que impedem ou dificultam a mobilidade são as maiores causadoras de estresse, o que acaba gerando um comportamento agressivo”. Este estado de stress, por sua vez, revela uma teia de contradições dos motoristas, que demonstram não ter consciência das situações de risco em que acabam se envolvendo.
          O "pecado" no trânsito (violações à lei ou comportamentos agressivos) que são mais admitidos é a impaciência com o motorista “da melhor idade” ou aqueles mais lentos utilizando a faixa da esquerda o que leva os stressadinhos à ultrapassagem pelo lado direito.
         De qualquer forma vale a dica para os que concordam com o filósofo Sócrates especificamente na inscrição da entrada do templo de Delfos como inspiração para construir sua filosofia: “Conhece-te a ti mesmo.” É este ato de conhecimento, capaz de promover nossa autotranscendência, pois apenas através desta atitude podemos modificar nossa relação para conosco mesmo, para com os outros e para com o mundo.
         Com certeza as situações de trânsito revelam muito mais de nós mesmos do que poderíamos em sã consciência imaginar.

Regina de Faria Brito
Presidente SINDIANÁPOLIS
www.sindianapolis.org