sexta-feira, 8 de abril de 2011

BONS TEMPOS.

Por Regina de Faria

         Eu sou arquiteta urbanista de formação. Anapolina da “gema”. Servidora pública por vocação. Cresci em um meio político, pois nos idos da década de 60 meu pai foi vereador em minha cidade natal, Anápolis-GO. Meu tio Anapolino Silvério de Faria apesar de médico de profissão, ao retornar à casa do Pai em 2008, deixou saudades não apenas a seus familiares, mas a muitos eleitores do município por representar um espécime em extinção: o político íntegro. Em sua extensa e bem sucedida vida pública colecionou honrarias de valor inestimável. Dentre diversos e bem sucedidos vôos na carreira política, foi prefeito de Anápolis por dois mandatos, 1983 a 1985 enquanto o último dos prefeitos nomeados do município e de 1989 a 1992 como prefeito eleito. Não por acaso traz em seu nome a designação de sua maior missão, a devoção de seu trabalho em prol de sua cidade natal.
        Eu tive o privilégio de conviver intimamente com ele, pois no início da década de 60 minha família mudou-se do ultimo andar do Hotel Itamaraty para uma residência construída, na então última rua do traçado urbano da cidade. Ocupávamos a casa do meio situada entre a casa do “tio Nem” mais acima e a do “tio Anapolino” mais abaixo. Ainda titubeante nos meus primeiros passos tive a oportunidade de crescer na convivência muito próxima destas famílias. Em um cenário “rural” as brincadeiras aconteciam entre as grandes mangueiras, fixos, lagartixas e outros bichos localizados nos extensos quintais que se permeavam devido à ausência dos limites dos muros.
        Neste ir e vir frenético esta convivência me propiciou o contato com ilustres personagens da vida política nacional, amigos íntimos de meu tio, tais como Juscelino Kubitschek, Tancredo Neves e Oscar Niemeyer dentre outros. Estas experiências alimentaram meu imaginário infantil e ao mesmo tempo delineava meus caminhos pessoais, cumprindo, também uma missão importante em minha educação cidadã.
        O tempo passou rapidamente e por obra do destino em meados da década de 80 estávamos lado a lado na Prefeitura de Anápolis. Neste local preciso, meu tio obteve seu sucesso maior, pois indubitavelmente tem sido citado por “gregos e troianos” como exemplo do ente político que utiliza o poder a ele conferido com sabedoria visando o pleno desenvolvimento do patrimônio que pertence a toda coletividade. Com este sentimento latente em todas suas ações, sabia com clareza que deveria valorizar os servidores, seus companheiros, que concretizariam as políticas públicas por ele definidas sempre em conjunto com sua equipe técnica. Desta forma, como participante desta equipe o ouvi repetir inúmeras vezes que ele era médico e por isto precisava de outros especialistas auxiliando suas decisões. Os servidores públicos municipais eram considerados por ele parceiros na construção de uma sociedade mais justa e por isto fazia questão de valorizá-los materialmente e emocionalmente.
        O slogan por ele escolhido para caracterizar sua passagem como Prefeito Municipal - “Anápolis eu te amo,” sintetizava todo o sentimento que norteava suas decisões: O amor incondicional a este solo de cerrado. Sua firmeza no agir e a coerência aos seus princípios morais justificam o adjetivo dado pelo seu amigo e jornalista Manoel Vanderic em suas memórias, caracterizando-o como “um cidadão singular.”
        Tenho convicção que estas experiências já definiam o que viria a ser minha missão enquanto profissional: transitei da área da arquitetura e urbanismo para a esfera sindical. Estou no Sindianápolis – Sindicato dos Funcionários e Servidores Públicos  Municipais  de Anápolis desde 2003 e assumi a presidência a partir de 2007. Graças a Deus estou sobrevivendo, apesar das perseguições e humilhações de toda espécie, em uma ceara cheia de espinhos e bichos selvagens de todas as espécies. Tenho colecionado avanços expressivos para os servidores, mas tenho que confessar que, infelizmente, as vitórias acabam sendo ofuscadas pela difícil tarefa de transitar no meio político em um momento em que a corrupção, a impunidade e a hipocrisia são valores inerentes à atividade política. Já se foi o tempo em que um homem não precisava de documentos ou registros em cartório, pois sua honra andava lado a lado com sua palavra.
Bons tempos aqueles...

Regina de Faria Brito
Presidente SINDIANÁPOLIS
www.sindianapolis.org

sexta-feira, 1 de abril de 2011

AS DORES DA TERRA

Por Regina de Faria


        Já se tornou recorrente o bombardeio de notícias catastróficas oriundas de todos os “cantos” do planeta e de diferentes níveis: terremotos, inundações, tsunamis, desastres envolvendo usinas nucleares, dentre tantos outros. Nestes momentos podemos sentir a alma do planeta gemer e este lamento ecoa em cada um de nós através da compaixão por tantos que perdem tudo e vêem familiares, amigos e vizinhos perderem até mesmo a própria vida. Hoje o planeta se transformou em uma grande aldeia global e compartilhamos o sofrimento daqueles, que embora distantes fisicamente, fazem parte da mesma família.
        A partir de meados da década de 1990 a maioria da humanidade passou a viver nas cidades atingindo marcas dos níveis de urbanização na casa dos 85%. O mundo hoje é um grande espaço urbano e as conseqüências da exploração irracional dos recursos naturais já se faz presente através de grandes catástrofes. Há muito que a causa ambiental passou a ser uma estratégia de sobrevivência da vida em nosso planeta e comungo com aqueles que acreditam que ainda temos tempo para reverter as conseqüências do modelo de desenvolvimento irracional e predatório.
        Conforme Roberto Crema (1989), psicoterapeuta e reitor da Universidade Holística Internacional, “para qualquer pessoa dotada de um mínimo de arte de ver o óbvio é tão fácil quanto atordoante constatar que vivemos uma crise sem precedentes, por seu aspecto avassalador.” É uma crise vital, pois pela primeira vez, na história da humanidade corremos o risco iminente de autodestruição total. Indubitavelmente a vida está ameaçada no nosso planeta, mas de acordo com a filosofia oriental toda crise possui em si a oportunidade de transformação. Não é por acaso que encontramos hoje as questões ambientais na pauta de todos os discursos e, por conseguinte em muitas campanhas de organizações religiosas. Marina Silva, por exemplo, ex-Ministra do Meio Ambiente do governo Lula é evangélica e é um exemplo do compromisso de diversas igrejas em incorporar as questões ambientais na reflexão da atuação dos cristãos. A igreja católica, por sua vez, no dia 13 de Março lançou a Campanha da Fraternidade de 2011 cujo tema, Fraternidade e a Vida no Planeta e o Lema "A Criação geme em dores de parto", insere a problemática ambiental nas reflexões das comunidades de todo país. Nesta vertente busca abordar as pesquisas das causas, conseqüências e gravidade do aquecimento global e das mudanças climáticas para a sobrevivência da vida no planeta.

        No lançamento oficial da campanha fraternidade ao conclamar cada cristão a mudar suas atitudes citou-se Madre Tereza de Calcutá ao afirmar que, “cada ação será uma gota de água dentro de um oceano, que o tornará diferente.” Ressaltou-se a necessidade urgente de mudança de mentalidade com a convicção de que apenas as atitudes de cada pessoa pautada na cultura de conscientização ambiental poderão reverter às conseqüências de uma sociedade pautada no consumismo capitalista selvagem.
        Vivemos um momento dramático em que a realidade reforça a necessidade premente de mobilização e organização consciente da sociedade civil, pois ninguém comete erro maior do que nada fazer. Cada um de nós deve assumir o compromisso de mudança de atitude em favor da preservação do planeta. É urgente a adoção de medidas rápidas com caráter emergencial e profunda eficiência para que os padrões culturais se alterem e as políticas públicas tenham a necessária eficácia na reversão do atual quadro ambiental. Apenas assim poderemos transformar os gemidos de dor em gemido de amor e de esperança.
Regina de Faria Brito


Regina de Faria Brito
Presidente SINDIANÁPOLIS


sexta-feira, 11 de março de 2011

Comenda HAYDÉE JAYME.
"Comece fazendo o que é necessário, depois o que é possível, e de repente você estará fazendo o impossível.”
                                            São Francisco de Assis 
Por Regina de Faria
No dia 10 de Março tive a honra de ser agraciada pelo Prefeito Municipal de Anápolis com a entrega da Medalha de Distinção de Mérito Haydée Jaime em comemoração ao dia Internacional da Mulher. Quinze mulheres com atividades bem diversificadas foram escolhidas para receber no salão do Parque Ipiranga esta comenda representando a mulher em ação na cidade de Ana.
Ao ouvir a biografia de minhas companheiras acredito ter compartilhado de um mesmo sentimento. “Eu tenho feito tão pouco para justificar ser homenageada em vida...” Ao invés de me sentir cheia de orgulho me senti muito pequena perante o quanto há por ser feito. Mesmo assim não posso deixar de externar a alegria de ter meu nome lembrado e algumas das fortes razões que justificam este sentimento:
             Haydée Jayme nasceu em Anápolis - GO, no dia 29 de junho de 1926 viveu uma vida plena e laureada com a autoria de grandes livros e intensa poesia.
Historiadora, poetisa, jornalista, artista plástica, escritora e professora, ela escreveu a história da cidade com farta documentação. Faleceu em Anápolis no dia 2 de Janeiro do ano de 1999 deixando um legado digno de uma grande personagem que contribuiu sobremaneira na construção de nossa história. Suas crônicas, poesia e, sobretudo os livros históricos tem elucidado os amantes e pesquisadores de conhecimentos sobre nossos antepassados. Durante minha dissertação de pós-graduação e posteriormente de mestrado, esta grande escritora me acompanhou inspirando e subsidiando os textos sobre a elucidação da história e evolução do município de Anápolis, sob a ótica do planejamento urbano.
Coincidentemente nos idos de 2007 o local onde se realizou o evento foi motivo de uma das mobilizações conjuntas entre o Sindianápolis e o então vereador de oposição Antonio Gomide, hoje prefeito. Naquela ocasião parte da área pública estava sendo leiloada para a construção de arranha-céus apesar de ser área de preservação permanente. Denominamos o movimento de “O grito do Ipiranga” e através de abaixo-assinados e uma representação pública frente ao Ministério Publico Estadual - MPE conseguimos reverter à situação. Hoje o local foi totalmente revitalizado e entregue à população transformado em um parque de extrema beleza onde a população pode usufruir prazerosamente das águas límpidas do Córrego Ipiranga.
Merece ser enaltecida a atitude de o Prefeito Municipal conceder esta honraria a uma presidente do Sindicato dos Servidores Públicos do Município. Traduzindo, se ontem o vereador de oposição estava lado a lado com o sindicato em suas lutas e reivindicações, hoje ele é o patrão destes servidores e, obviamente o foco principal de cobrança e alvo central de críticas.
Tenho em meu caderno de anotações uma frase de autor desconhecido que me guia e orienta meus passos:
 “A gratidão é o caminho mais próximo para chegar a Deus.”
Por isto não poderia deixar de agradecer publicamente primeiro a Deus que me fortalece nesta árdua caminhada, à minha família que me apóia e me dá o equilíbrio necessário, ao jornalista Nilton Pereira que indicou meu nome, aos demais membros da comissão designada para a escolha das homenageadas, ao Prefeito Municipal pela aceitação da indicação, aos meus amigos presentes e ausentes, aos servidores públicos companheiros de jornada e aos membros da diretoria do Sindianápolis por serem os voluntários nesta empreitada que justificou a honraria a mim concedida .

Regina de Faria Brito
Presidente SINDIANÁPOLIS
          www.sindianapolis.org

sexta-feira, 4 de março de 2011

MARIA, MARIA.

“Quem traz na pele essa marca
  Possui a estranha mania
  De ter fé na vida...”
                                                                    Por Regina Faria.


        O Dia Internacional da Mulher, celebrado no dia 8 de Março, tem como origem as manifestações das mulheres russas por "Pão e Paz" - por melhores condições de vida e trabalho e contra a entrada do seu país na Primeira Guerra Mundial. Nos Estados Unidos e na Europa essas manifestações já haviam surgido desde os primeiros anos do século XX, no contexto das lutas de mulheres por melhores condições de vida e trabalho, bem como pelo direito de voto.
        O fato de vivermos em uma sociedade que possui sua organização pautada na ideologia patriarcal induziu as mulheres à necessidade de grande mobilização de seus esforços em busca da garantia de seus direitos essenciais.
        Conforme Joseph Campbell os hebreus foram os primeiros a usar o termo pai para denominar o que até então era a Deusa Mãe ou Mãe Terra, a divindade da religião entre os antigos que cultuava as mulheres.
        Nas diversas tradições espirituais o antagonismo entre o feminino e o masculino está presente de maneira diferenciada. No cristianismo, primordialmente na Igreja Católica, Maria, a mãe de Jesus, é reverenciada deste os tempos primitivos. A Virgem Maria é também admirada pelos muçulmanos. Nos textos Bíblicos encontramos no Antigo Testamento, mulheres exercendo forte liderança e permanente papel na formação da consciência do povo hebreu. O Novo Testamento, não é diferente do Antigo Testamento, quanto à participação feminina na caminhada do Povo de Deus. Além de Maria a mãe de Jesus outras mulheres, acompanharam e permaneceram com Jesus em toda sua curta trajetória até o pé da Cruz.
        A filosofia Taoísta, por sua vez, tem em sua estrutura conceitual dois pólos arquetípicos – o yin e o yang – que conjuntamente dão a essência do Tao enquanto processo cósmico de continuo fluxo e mudança. Nesta concepção chinesa, todas as manifestações são geradas pela interação dinâmica desses dois pólos arquetípicos e todos os fenômenos naturais são manifestações de uma contínua oscilação entre estes dois pólos.
       De forma simplificada o arquétipo Yin está associado às seguintes características: noite, inverno, umidade, frescor, interior, feminino, intuitivo, sintético, receptivo. Por sua vez o arquétipo Yang está relacionado ao: dia, verão, secura, calidez, superfície, masculino, racional, analítico, agressivo. Se atentarmos para esta lista de opostos, é fácil perceber que nossa sociedade tem favorecido sistematicamente o yang em detrimento do yin. Somos fruto de uma visão cartesiana e mecanicista que caracterizou a revolução científica, desta forma nossa cultura está dominada pelo pensamento racional. Nossa geração sofre as conseqüências de uma busca insana alicerçada na crença de que o avanço tecnológico seria a solução para todos os males da sociedade. O conhecimento racional prevalece sobre a sabedoria intuitiva, a ciência sobre a religião, a competição sobre a cooperação, a exploração de recursos naturais em vez de conservação, e assim por diante. Nossos ideais estão centrados no individualismo exacerbado e na competição desmedida.
       Esta ênfase sustentada pelo sistema patriarcal durante os três últimos séculos acarretou um profundo desequilíbrio cultural que está na própria raiz de nossa atual crise – um desequilíbrio em nossos pensamentos e sentimentos, em nossos valores e atitudes e em nossas estruturas sociais, econômicas e políticas. A freqüente associação do yin com passividade e do yang com atividade enquadra as mulheres em um modelo de passividade e receptividade e os homens como ativos e criativos. Essas imagens buscam trazer uma explicação científica para manter as mulheres num papel subordinado, subserviente, em relação aos homens.
       Nas décadas mais recentes, conclui-se que todas essas idéias e esses valores estão seriamente limitados e necessitam de uma revisão radical. O declínio do patriarcado, o final da era do combustível fóssil e a mudança de paradigma que vivenciamos estão contribuindo para uma transição de dimensões planetárias. Estamos chegando a um momento decisivo em que necessário se faz uma revolução cultural na verdadeira acepção da palavra. A sobrevivência de toda a nossa civilização pode depender de sermos ou não capazes de realizar tal mudança. Com certeza, as mulheres possuem um papel primordial nesta transformação já em curso, pois mais do que ninguém conhecem os processos de gestação, nascimento e vida.


















segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

A LEALDADE AOS PRINCÍPIOS.
Por: Regina Faria

“Se você é capaz de tremer de indignação a cada vez que se comete uma injustiça no mundo, então somos companheiros.”
 Che Guevara

Atualmente é fácil observar que as pessoas estão perdendo a dignidade, o amor próprio, vendo seus direitos sendo dilapidados e simplesmente cruzam os braços e esperam o momento de perder sua voz, quando não mais poderão reagir. Este fato me levou à decisão de entrar na ação sindical objetivando usar a energia da indignação para transformar a condição de escravidão dos companheiros servidores. Nestes 28 anos de trajetória no serviço publico me indignei inúmeras vezes ao presenciar injustiças e jogos de poder que tinham como único objetivo utilizar as leis com todo o seu rigor para os desafetos do poder e buscar as brechas para favorecer os amigos dos gabinetes. Acreditando que a alegria está na luta, na tentativa, na transformação da indignação e do sofrimento envolvido e não na vitória propriamente dita iniciei uma trajetória permeada por ataques e perseguições à minha pessoa. Apesar de toda pressão o Sindianápolis colecionou muitas vitórias e teve ao seu lado parceiros que levantaram conjuntamente as bandeiras por nós hasteadas.
Continuei minha luta coerente com os princípios e idealismo que sempre nortearam minhas ações desde sempre. No entanto tive o desprazer de ver pessoas que anteriormente estiveram ao meu lado atacarem minha conduta apesar de estar perfeitamente coerente com minha trajetória enquanto presidente do sindicato.
Ficar indignada em face de injustiça sempre fez parte de meu temperamento e está inserido em um contexto de minha formação como cidadã em defesa da vida plena e digna. Exemplificando, em 1993 quando era conselheira tutelar do Conselho dos Direitos da Criança e do Adolescente recebi uma denuncia em relação aos serviços prestados no Hospital Municipal. Coincidentemente naquela mesma ocasião, meu querido irmão de sangue, Dr. Fernando de Faria era então secretário da saúde do governo Wolney Martins. Minha proposta junto aos demais membros do referido conselho foi convocá-lo para uma reunião para prestação de contas sobre as denuncias que a nós foram encaminhadas. Meus colegas conselheiros estranharam minha proposta e me perguntaram como iria argüir uma pessoa tão cara na minha vida. Imediatamente utilizei os ensinamentos de meu saudoso e caro tio Anapolino de Faria, ex-prefeito de Anápolis, que costumeiramente afirmava: “- Justiça começa em casa.” A proposta foi aceita e no dia marcado meu irmão foi humildemente à reunião onde foi severamente inquirido acerca das denuncias. Ao terminar a reunião atravessei a porta do conselho e naquele momento ele voltou a ser meu irmão amado sem qualquer tipo de mágoa ou ressentimentos, pois ambos sabíamos que nossas ações devem estar norteadas por uma coerência interna e não por preceitos mesquinhos e individualistas.

Na certeza de que a força não provém da capacidade física e sim de uma vontade indomável e convencida que só se perde a liberdade por culpa da própria fraqueza, aprendi a transformar cada pedra no caminho em motivação para alcançar os objetivos delineados pelos meus sonhos. De qualquer maneira nunca foi fácil assumir posições que contrariam os interesses de quem detem o poder e obviamente ser vidraça é muito menos confortável quando se é o lado fraco deste jogo desigual. Este é o preço da lealdade aos princípios que norteiam minha conduta.
O meu alento é ter a certeza que a exclusão sectária é uma atitude estranha ao Espírito de Deus. Apenas o verdadeiro cristão sabe acolher, apoiar e estimular os homens (e mulheres) que defendem uma causa nobre, ainda que não estejam cadastrados em sua comunidade.

Regina de Faria Brito
Presidente SINDIANÁPOLIS
www.sindianapolis.org

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

CONVOCAÇÃO PARA ASSEMBLÉIA

Por Regina Faria

As Diretorias do Sindianápolis (Sindicato dos Funcionários e Servidores Públicos Municipais de Anápolis) e da AFAPEMA (Associação dos Funcionários Aposentados e Pensionistas do Município de Anápolis) vêm convocar os servidores credores de salários atrasados de 1996 e 2000 e não pagos até hoje, para uma reunião a ser realizada no dia 17 de Fevereiro de 2011, às 9:00 hs na porta do Teatro Municipal do Centro Administrativo – “prefeitura “.
Nesta oportunidade estaremos comunicando a evolução (???) deste débito com os aposentados e pensionista do ISSA (Instituto de Seguridade Social de Anápolis) bem como com os servidores ativos da prefeitura de Anápolis.
Estaremos também deliberando ações efetivas para resolver definitivamente esta pendência que nos envergonha há mais de quatorze anos(14) enquanto servidores desta municipalidade.
           Solicitamos aos servidores que se informem e tenham certeza do não recebimento destes salários. 
“nenhum de nós é tão forte como todos nós juntos. “
                                                                                                    Participe!!!

Regina Maria de Faria Amaral Brito
Presidente do SINDIANÁPOLIS

Nilza Esteves de Azevedo Lima
Presidente AFAPEMA

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

O MEIO AMBIENTE PEDE SOCORRO

            Por Regina de Faria
  
           A ânsia desmedida do ser humano pelo que se habituou a definir como progresso somada a má utilização dos recursos naturais transformou a causa ambiental em uma estratégia de sobrevivência e desenvolvimento do século 21. A situação atual demonstra a necessidade de medidas rápidas com caráter emergencial e profunda eficiência para que os padrões culturais se alterem e as ações políticas tenham a necessária eficácia na reversão do atual quadro ambiental. Cotidianamente o noticiário invade nossos lares com as tragédias provocas pelo aumento da temperatura média no planeta que chega ao nível assustador de dois graus Celsius.
           Especialistas afirmam que, mantendo-se a tendência atual de concentração de gases do efeito estufa, em poucos anos pode-se chegar a uma situação-limite.  De acordo com avaliações técnicas é necessário reduzir entre 25% e 40% a emissão dos gases poluentes na atmosfera até o ano de 2020 e em até 80% até 2050 tendo com base os índices de 1990. Esta ação só se viabilizará se houver um compromisso mundial e os líderes políticos assumirem políticas que enfrentem a realidade do aquecimento global. Metas já foram traçadas, mas os avanços ainda são acanhados pela gravidade dos problemas já gerados pelo desequilíbrio ambiental.
          Contraditoriamente em um momento em que se esperava que os governos nos níveis federal, estadual e municipal conscientes da gravidade e da necessidade de agir com mudanças radicais de conduta e no estabelecimento de políticas ambientalmente corretas surge o projeto de Lei n. 6424, que propõe alterações retrógradas e tendenciosas no atual Código Florestal. As modificações já foram aprovadas através do relatório do deputado Aldo Rebelo (PCdoB) em junho de 2010 por uma comissão especial dominada por representantes da bancada ruralista e depende, agora, da votação dos 513 deputados em plenário. A votação está programada para março respondendo ao clamor dos deputados ligados ao agronegócio, que apóiam as nefastas mudanças no referido Código.
         De acordo com ambientalista e especialista em geral, a aprovação destas alterações pode levar a um aumento generalizado de desmatamento, além de deixar as populações rurais e urbanas vulneráveis a catástrofes naturais. Para melhor conhecimento das alterações e suas conseqüências, já está disponível na internet a cartilha Código Florestal: Entenda o que está em jogo com a reforma de nossa legislação ambiental, produzida por sete organizações não governamentais que integram o SOS Florestas. Fazem parte da frente SOS Florestas as ONGs Apremavi, Greenpeace, Imaflora, Instituto Centro de Vida (ICV), Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM), Instituto Socioambiental (ISA) e WWF-Brasil.
Com análises técnicas e científicas, a cartilha demonstra que a devastação da cobertura florestal às margens de cursos d’água, resultante das alterações do Código Florestal vão contribuir para o assoreamento do leito dos rios, aumentando a velocidade de escoamento das águas, provocando erosões e enxurradas. Os impactos, portanto, acontecem tanto em áreas rurais quanto urbanas. Além disso, as mudanças propostas como anistia a desmatadores, redução de áreas de preservação permanente e diminuição de reserva legal, devem gerar enormes emissões de gases de efeito estufa, aumento generalizado de desmatamento em todos os biomas e vulnerabilidade da população a eventos extremos. Carlos Rittl, coordenador do programa de Mudanças Climáticas do WWF-Brasil, afirma que o trabalho do SOS Florestas desmente os argumentos dos ruralistas de que a flexibilização da legislação não tem relação com as tragédias provocadas por enchentes e deslizamentos em áreas urbanas nas regiões Sul e Sudeste do Brasil. Ao contrário reafirma a relação direta entre estes eventos e o conseqüente agravamento da atual situação ambiental. 
Mais uma vez, cabe a sociedade civil organizar-se contra a aprovação desta alteração do Código Florestal.
Regina de Faria Brito
Presidente SINDIANÁPOLIS