sexta-feira, 10 de junho de 2011

O CASAMENTO DO CÉU COM A TERRA.

Por Regina de Faria

          No último dia 3 de Junho Anápolis foi presenteada com a visita ilustre do escritor, professor universitário e expoente da Teologia da Libertação no Brasil, Leonardo Boff. Ele foi membro da Ordem dos Frades Menores, mais conhecidos como Franciscanos e é respeitado pela sua história de defesa pelas causas sociais e as questões ambientais. Sua reflexão teológica abrange os campos da Ética, Ecologia e da Espiritualidade trabalhando, também no campo do ecumenismo.
         Aos 73 anos de idade ele coleciona uma produção literária composta de mais de 60 livros construindo uma história de abrangência internacional. Sua vinda à Anápolis inseriu-se nas comemorações da semana do meio ambiente de 2011 coordenada pela Prefeitura Municipal. Quem teve o privilégio de compartilhar algumas horas com tão notável presença vivenciou a emoção amplificada pela apresentação de um vídeo com os pontos principais da Carta da Terra. Este documento foi aprovado em Paris no ano de 2000 com a participação efetiva de 46 países. Leonardo Boff foi o representante do Brasil no processo de mais de dois anos de elaboração deste documento estruturado em quatro principios: (1) respeitar e cuidar da comunidade de vida; (2) integridade ecológica; (3) justiça social e econômica; (4) democracia, não-violência e paz.
         Leonardo Boff afirma que esta carta nasceu como resposta às ameaças que pesam sobre o planeta e como uma forma de se pensar articuladamente os muitos problemas ecológico-sociais, tendo como referência central a Terra ou “Gaia”. Para ele a categoria sustentabilidade deve ser o fundamento do novo paradigma civilizatório que procura harmonizar os seres humanos com o desenvolvimento sustentável da Terra. Embora este termo tenha surgido oficialmente em 1979 na Assembléia das Nações Unidas o conceito possui uma pré-história de quase três séculos, pois já em 1713 foi utilizado para designar a percepção da escassez provocada pelo desflorestamento decorrente do processo de industrialização. Em 1987, após quase mil dias de reuniões de especialistas convocados pela ONU foi publicado o documento Nosso Futuro Comum onde se encontra a clássica definição: "sustentável é o desenvolvimento que satisfaz as necessidades presentes, sem comprometer a capacidade das gerações futuras de suprir suas próprias necessidades".
          O desenvolvimento econômico tem sido a mola propulsora da sociedade capitalista e, portanto a produção e o consumo estão diretamente vinculados às questões relativas à sustentabilidade. Se no decorrer da evolução de nossa história a prática política houvesse seguido os princípios de busca do bem comum, com certeza os caminhos trilhados pelo Ocidente estariam mais próximos dos fundamentos da Carta da Terra. Infelizmente, o percurso escolhido foi o da mercantilizarão de todas as coisas e o submetimento da política e da ética à economia. A crise ecológica atual deriva desta escolha que, sendo mantida, poderá ameaçar o futuro da vida no planeta.
         Ainda há tempo para revisões e buscas de alternativas paradigmáticas. Para tanto necessário se faz repensar nossas escolhas criando uma estratégia que substitua a manutenção da política econômica dominante por um novo modo de viver, fruto de um cuidado para com toda a forma de vida no planeta.
         Apesar dos dados apocalípticos apresentados pelo ilustre palestrante os presenteados naquele evento saborearam o sonho e a possibilidade de ver a humanidade como parte de um vasto universo em evolução.   A semente foi lançada em nosso solo em busca do casamento do céu com a terra, visto como o encontro do mundo material com o espiritual e alimentado pelo desejo coletivo de podermos colher frutos de fraternidade e de cuidado para com todas as formas de vida.



Regina de Faria Brito
Presidente SINDIANÁPOLIS -
www.sindianapolis.org

quinta-feira, 26 de maio de 2011

A ciência da paz.

Por Regina de Faria

          Temos consciência de que o homem contemporâneo convive diariamente com situações estressantes um dos resultados de uma sociedade pautada na competitividade e consumismo exacerbados. O stress considerado uma doença a partir da década dos anos 90 é proveniente de uma vida agitada e corrida cheia de afazeres e preocupações e atinge as pessoas independente de sua classe social, faixa etária, cor ou religião.
        Em cada esquina que atravessamos já existe uma ciência do conflito e da guerra instalada, por isto passou a ser essencial a renovação de nossas reservas de paciência interior. A condição de saúde em plenitude neste novo milênio exige sabedoria, considerada o instrumento fundamental para a tão necessária ciência da paz. Precisamos inverter este círculo vicioso da violência no círculo virtuoso da serenidade e da ternura. Mas essa tarefa não é tão simples, pois este conhecimento ainda não habita o currículo de nossas escolas. É necessário aprender com a vida. Cada dia nos traz uma lição e com certeza, as pedras de tropeço podem se transformar na motivação para a busca de paz interior.
        Pierre Weil (1924-2008), doutor em Psicologia pela Universidade de Paris, após uma crise existencial seguida de um câncer dedica-se de corpo e alma à pesquisa e ao estabelecimento de uma cultura para a paz. A UNIPAZ foi criada em 1987 e ele passa a ser o seu presidente. Em 1989 Pierre Weil elabora uma teoria sobre a gênese da destruição da vida sobre o Planeta e sobre os princípios e abordagens que possibilitam um novo método de Educação para a paz. Ele segue em sua abordagem as recomendações do preâmbulo da UNESCO (organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e cultura) que afirma: “As guerras nascem no espírito dos homens, e é nele, primeiramente, que devem ser erguidos os baluartes da paz.”.
         Esta nova concepção se apóia na trilogia integrativa de três aspectos da Paz, a saber:
        1- A Paz consigo próprio, denominada Ecologia e Consciência individuais e atua nos planos do corpo, das emoções e do espírito;
       2- A Paz com os outros, denominada de Ecologia e Consciência Sociais e atua nos planos da economia, da sociedade, da política e da cultura;
        3- A Paz com a natureza, denominada de Ecologia e Consciência do Universo e atua nos planos da matéria, da vida e da informação.
        Este novo modelo de educação foi desenvolvido em diversas modalidades e workshops que estão sendo desenvolvidos em todo o mundo com o apoio da UNESCO e parte do pressuposto de que a violência pode ser banida imediatamente de todos os níveis da vida, mas é necessário que os homens escolham com audácia, imaginação e determinação o caminho da paz. Porque ele não é o único. Existe também a trilha sombria que conduz à desordem e à guerra e que tem o poder de nos indignar comprometendo também nossa paz interior.
         Diversas e diferentes tradições espirituais apresentam caminhos para a busca da paz interior. Para os cristãos a verdadeira paz é apresentada pela fé e pela graça de aceitar Jesus como o dom de Deus e a garantia de perfeição e segurança do homem. Através da simbologia da cruz, tudo aquilo de que o homem tem necessidade, tanto no plano horizontal, visto como suas necessidades materiais, quanto no plano vertical pela necessária evolução espiritual, Jesus responde em suas célebres autoapresentações: “Eu sou – o pão, a paz, o pastor, a porta (de acesso ao Pai), a ressurreição e a vida, o caminho, a verdade e a vida.” Viver em comunhão com Deus significa ser feliz. O amor é a experiência central do cristianismo. Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo e com certeza a natureza já estava subtendida neste mandamento.
         Jesus Cristo diz a todos os que crêem nEle: "Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou; não vo-la dou como a dá o mundo. Não se turbe o vosso coração" (Jo 14.27b).




Regina de Faria Brito
Presidente SINDIANÁPOLIS

segunda-feira, 9 de maio de 2011


TRANS FORMAR-SE
APESAR DO TRÂNSITO

Por Regina de Faria

          O século XXI tem sido considerado o da globalização da economia aliada à velocidade de informação. Já o século XX foi caracterizado pelo crescimento das cidades atingindo níveis de urbanização na casa dos 85%. Desta forma, um dos grandes desafios que as cidades encontram, é como conciliar os atributos da vida urbana, tais como veículos, pessoas e lixo, tendo em vista a preservação de um meio ambiente “saudável” (se é que se considera isto possível).
          Na maioria das cidades brasileiras de médio e grande porte está praticamente inviável transitar pelas ruas, principalmente em horários de pico. O serviço de transporte coletivo precário e o crédito facilitado resultam na aquisição fácil de veículos que sobrecarregam as ruas com excessiva utilização de meios de locomoção individuais. A relação “espaço-tempo” tão importante nas relações urbanas está caminhando cada dia mais na contramão. A ausência de políticas públicas, tais como plano diretor de transporte e circulação nos municípios, que poderiam atenuar os conflitos de mobilidade urbana vem agravar ainda mais o quadro negro do trânsito nas cidades.
          Por ser um tema que nos aflige cotidianamente sugiro que na próxima vez que você se encontrar no trânsito faça uma experiência de “plena atenção” observando como as pessoas se comportam. Alguns motoristas estarão calmamente falando ao celular, transformando seus veículos em escritório pessoal, ao mesmo tempo em que dirige desconsiderando as normas de trânsito. Outros excessivamente ansiosos vão extravasar sua irritação no volante ou na buzina. Alguns pertencentes a categoria dos que são melhores do que os demais mortais vão burlar as lei em vigor para tirar vantagens.(Ahhh como estes conseguem nos tirar do sério...). Já uma minoria vai conseguir controlar seu estado de stress e buscar nos arquivos mentais técnicas de autocontrole e com esforço sobrenatural vão conseguir dirigir com tranquilidade.
          Entrevistas realizadas para sustentar a tese de mestrado da psicóloga Gislene Maia de Macedo da Universidade de São Paulo demonstram que nove em cada dez pessoas ficam tremendamente irritadas ao serem cortadas por “apressadinhos” de plantão. Três em cada dez assumem exceder os limites de velocidade estipulados sendo responsáveis pela maioria dos acidentes e quatro em cada dez reconhecem reagir com hostilidade com gestos, gritos e com certeza a mão na buzina.
         Pesquisadores também concluíram que a agressividade ao volante está associada ao temperamento dos motoristas. Acredito que é no trânsito que nosso lado sombra aparece e aí pouquíssimas pessoas conseguirão manter-se imune a reações irracionais. Psicoterapeutas afirmam que, "Situações que impedem ou dificultam a mobilidade são as maiores causadoras de estresse, o que acaba gerando um comportamento agressivo”. Este estado de stress, por sua vez, revela uma teia de contradições dos motoristas, que demonstram não ter consciência das situações de risco em que acabam se envolvendo.
          O "pecado" no trânsito (violações à lei ou comportamentos agressivos) que são mais admitidos é a impaciência com o motorista “da melhor idade” ou aqueles mais lentos utilizando a faixa da esquerda o que leva os stressadinhos à ultrapassagem pelo lado direito.
         De qualquer forma vale a dica para os que concordam com o filósofo Sócrates especificamente na inscrição da entrada do templo de Delfos como inspiração para construir sua filosofia: “Conhece-te a ti mesmo.” É este ato de conhecimento, capaz de promover nossa autotranscendência, pois apenas através desta atitude podemos modificar nossa relação para conosco mesmo, para com os outros e para com o mundo.
         Com certeza as situações de trânsito revelam muito mais de nós mesmos do que poderíamos em sã consciência imaginar.

Regina de Faria Brito
Presidente SINDIANÁPOLIS
www.sindianapolis.org

sexta-feira, 8 de abril de 2011

BONS TEMPOS.

Por Regina de Faria

         Eu sou arquiteta urbanista de formação. Anapolina da “gema”. Servidora pública por vocação. Cresci em um meio político, pois nos idos da década de 60 meu pai foi vereador em minha cidade natal, Anápolis-GO. Meu tio Anapolino Silvério de Faria apesar de médico de profissão, ao retornar à casa do Pai em 2008, deixou saudades não apenas a seus familiares, mas a muitos eleitores do município por representar um espécime em extinção: o político íntegro. Em sua extensa e bem sucedida vida pública colecionou honrarias de valor inestimável. Dentre diversos e bem sucedidos vôos na carreira política, foi prefeito de Anápolis por dois mandatos, 1983 a 1985 enquanto o último dos prefeitos nomeados do município e de 1989 a 1992 como prefeito eleito. Não por acaso traz em seu nome a designação de sua maior missão, a devoção de seu trabalho em prol de sua cidade natal.
        Eu tive o privilégio de conviver intimamente com ele, pois no início da década de 60 minha família mudou-se do ultimo andar do Hotel Itamaraty para uma residência construída, na então última rua do traçado urbano da cidade. Ocupávamos a casa do meio situada entre a casa do “tio Nem” mais acima e a do “tio Anapolino” mais abaixo. Ainda titubeante nos meus primeiros passos tive a oportunidade de crescer na convivência muito próxima destas famílias. Em um cenário “rural” as brincadeiras aconteciam entre as grandes mangueiras, fixos, lagartixas e outros bichos localizados nos extensos quintais que se permeavam devido à ausência dos limites dos muros.
        Neste ir e vir frenético esta convivência me propiciou o contato com ilustres personagens da vida política nacional, amigos íntimos de meu tio, tais como Juscelino Kubitschek, Tancredo Neves e Oscar Niemeyer dentre outros. Estas experiências alimentaram meu imaginário infantil e ao mesmo tempo delineava meus caminhos pessoais, cumprindo, também uma missão importante em minha educação cidadã.
        O tempo passou rapidamente e por obra do destino em meados da década de 80 estávamos lado a lado na Prefeitura de Anápolis. Neste local preciso, meu tio obteve seu sucesso maior, pois indubitavelmente tem sido citado por “gregos e troianos” como exemplo do ente político que utiliza o poder a ele conferido com sabedoria visando o pleno desenvolvimento do patrimônio que pertence a toda coletividade. Com este sentimento latente em todas suas ações, sabia com clareza que deveria valorizar os servidores, seus companheiros, que concretizariam as políticas públicas por ele definidas sempre em conjunto com sua equipe técnica. Desta forma, como participante desta equipe o ouvi repetir inúmeras vezes que ele era médico e por isto precisava de outros especialistas auxiliando suas decisões. Os servidores públicos municipais eram considerados por ele parceiros na construção de uma sociedade mais justa e por isto fazia questão de valorizá-los materialmente e emocionalmente.
        O slogan por ele escolhido para caracterizar sua passagem como Prefeito Municipal - “Anápolis eu te amo,” sintetizava todo o sentimento que norteava suas decisões: O amor incondicional a este solo de cerrado. Sua firmeza no agir e a coerência aos seus princípios morais justificam o adjetivo dado pelo seu amigo e jornalista Manoel Vanderic em suas memórias, caracterizando-o como “um cidadão singular.”
        Tenho convicção que estas experiências já definiam o que viria a ser minha missão enquanto profissional: transitei da área da arquitetura e urbanismo para a esfera sindical. Estou no Sindianápolis – Sindicato dos Funcionários e Servidores Públicos  Municipais  de Anápolis desde 2003 e assumi a presidência a partir de 2007. Graças a Deus estou sobrevivendo, apesar das perseguições e humilhações de toda espécie, em uma ceara cheia de espinhos e bichos selvagens de todas as espécies. Tenho colecionado avanços expressivos para os servidores, mas tenho que confessar que, infelizmente, as vitórias acabam sendo ofuscadas pela difícil tarefa de transitar no meio político em um momento em que a corrupção, a impunidade e a hipocrisia são valores inerentes à atividade política. Já se foi o tempo em que um homem não precisava de documentos ou registros em cartório, pois sua honra andava lado a lado com sua palavra.
Bons tempos aqueles...

Regina de Faria Brito
Presidente SINDIANÁPOLIS
www.sindianapolis.org

sexta-feira, 1 de abril de 2011

AS DORES DA TERRA

Por Regina de Faria


        Já se tornou recorrente o bombardeio de notícias catastróficas oriundas de todos os “cantos” do planeta e de diferentes níveis: terremotos, inundações, tsunamis, desastres envolvendo usinas nucleares, dentre tantos outros. Nestes momentos podemos sentir a alma do planeta gemer e este lamento ecoa em cada um de nós através da compaixão por tantos que perdem tudo e vêem familiares, amigos e vizinhos perderem até mesmo a própria vida. Hoje o planeta se transformou em uma grande aldeia global e compartilhamos o sofrimento daqueles, que embora distantes fisicamente, fazem parte da mesma família.
        A partir de meados da década de 1990 a maioria da humanidade passou a viver nas cidades atingindo marcas dos níveis de urbanização na casa dos 85%. O mundo hoje é um grande espaço urbano e as conseqüências da exploração irracional dos recursos naturais já se faz presente através de grandes catástrofes. Há muito que a causa ambiental passou a ser uma estratégia de sobrevivência da vida em nosso planeta e comungo com aqueles que acreditam que ainda temos tempo para reverter as conseqüências do modelo de desenvolvimento irracional e predatório.
        Conforme Roberto Crema (1989), psicoterapeuta e reitor da Universidade Holística Internacional, “para qualquer pessoa dotada de um mínimo de arte de ver o óbvio é tão fácil quanto atordoante constatar que vivemos uma crise sem precedentes, por seu aspecto avassalador.” É uma crise vital, pois pela primeira vez, na história da humanidade corremos o risco iminente de autodestruição total. Indubitavelmente a vida está ameaçada no nosso planeta, mas de acordo com a filosofia oriental toda crise possui em si a oportunidade de transformação. Não é por acaso que encontramos hoje as questões ambientais na pauta de todos os discursos e, por conseguinte em muitas campanhas de organizações religiosas. Marina Silva, por exemplo, ex-Ministra do Meio Ambiente do governo Lula é evangélica e é um exemplo do compromisso de diversas igrejas em incorporar as questões ambientais na reflexão da atuação dos cristãos. A igreja católica, por sua vez, no dia 13 de Março lançou a Campanha da Fraternidade de 2011 cujo tema, Fraternidade e a Vida no Planeta e o Lema "A Criação geme em dores de parto", insere a problemática ambiental nas reflexões das comunidades de todo país. Nesta vertente busca abordar as pesquisas das causas, conseqüências e gravidade do aquecimento global e das mudanças climáticas para a sobrevivência da vida no planeta.

        No lançamento oficial da campanha fraternidade ao conclamar cada cristão a mudar suas atitudes citou-se Madre Tereza de Calcutá ao afirmar que, “cada ação será uma gota de água dentro de um oceano, que o tornará diferente.” Ressaltou-se a necessidade urgente de mudança de mentalidade com a convicção de que apenas as atitudes de cada pessoa pautada na cultura de conscientização ambiental poderão reverter às conseqüências de uma sociedade pautada no consumismo capitalista selvagem.
        Vivemos um momento dramático em que a realidade reforça a necessidade premente de mobilização e organização consciente da sociedade civil, pois ninguém comete erro maior do que nada fazer. Cada um de nós deve assumir o compromisso de mudança de atitude em favor da preservação do planeta. É urgente a adoção de medidas rápidas com caráter emergencial e profunda eficiência para que os padrões culturais se alterem e as políticas públicas tenham a necessária eficácia na reversão do atual quadro ambiental. Apenas assim poderemos transformar os gemidos de dor em gemido de amor e de esperança.
Regina de Faria Brito


Regina de Faria Brito
Presidente SINDIANÁPOLIS


sexta-feira, 11 de março de 2011

Comenda HAYDÉE JAYME.
"Comece fazendo o que é necessário, depois o que é possível, e de repente você estará fazendo o impossível.”
                                            São Francisco de Assis 
Por Regina de Faria
No dia 10 de Março tive a honra de ser agraciada pelo Prefeito Municipal de Anápolis com a entrega da Medalha de Distinção de Mérito Haydée Jaime em comemoração ao dia Internacional da Mulher. Quinze mulheres com atividades bem diversificadas foram escolhidas para receber no salão do Parque Ipiranga esta comenda representando a mulher em ação na cidade de Ana.
Ao ouvir a biografia de minhas companheiras acredito ter compartilhado de um mesmo sentimento. “Eu tenho feito tão pouco para justificar ser homenageada em vida...” Ao invés de me sentir cheia de orgulho me senti muito pequena perante o quanto há por ser feito. Mesmo assim não posso deixar de externar a alegria de ter meu nome lembrado e algumas das fortes razões que justificam este sentimento:
             Haydée Jayme nasceu em Anápolis - GO, no dia 29 de junho de 1926 viveu uma vida plena e laureada com a autoria de grandes livros e intensa poesia.
Historiadora, poetisa, jornalista, artista plástica, escritora e professora, ela escreveu a história da cidade com farta documentação. Faleceu em Anápolis no dia 2 de Janeiro do ano de 1999 deixando um legado digno de uma grande personagem que contribuiu sobremaneira na construção de nossa história. Suas crônicas, poesia e, sobretudo os livros históricos tem elucidado os amantes e pesquisadores de conhecimentos sobre nossos antepassados. Durante minha dissertação de pós-graduação e posteriormente de mestrado, esta grande escritora me acompanhou inspirando e subsidiando os textos sobre a elucidação da história e evolução do município de Anápolis, sob a ótica do planejamento urbano.
Coincidentemente nos idos de 2007 o local onde se realizou o evento foi motivo de uma das mobilizações conjuntas entre o Sindianápolis e o então vereador de oposição Antonio Gomide, hoje prefeito. Naquela ocasião parte da área pública estava sendo leiloada para a construção de arranha-céus apesar de ser área de preservação permanente. Denominamos o movimento de “O grito do Ipiranga” e através de abaixo-assinados e uma representação pública frente ao Ministério Publico Estadual - MPE conseguimos reverter à situação. Hoje o local foi totalmente revitalizado e entregue à população transformado em um parque de extrema beleza onde a população pode usufruir prazerosamente das águas límpidas do Córrego Ipiranga.
Merece ser enaltecida a atitude de o Prefeito Municipal conceder esta honraria a uma presidente do Sindicato dos Servidores Públicos do Município. Traduzindo, se ontem o vereador de oposição estava lado a lado com o sindicato em suas lutas e reivindicações, hoje ele é o patrão destes servidores e, obviamente o foco principal de cobrança e alvo central de críticas.
Tenho em meu caderno de anotações uma frase de autor desconhecido que me guia e orienta meus passos:
 “A gratidão é o caminho mais próximo para chegar a Deus.”
Por isto não poderia deixar de agradecer publicamente primeiro a Deus que me fortalece nesta árdua caminhada, à minha família que me apóia e me dá o equilíbrio necessário, ao jornalista Nilton Pereira que indicou meu nome, aos demais membros da comissão designada para a escolha das homenageadas, ao Prefeito Municipal pela aceitação da indicação, aos meus amigos presentes e ausentes, aos servidores públicos companheiros de jornada e aos membros da diretoria do Sindianápolis por serem os voluntários nesta empreitada que justificou a honraria a mim concedida .

Regina de Faria Brito
Presidente SINDIANÁPOLIS
          www.sindianapolis.org

sexta-feira, 4 de março de 2011

MARIA, MARIA.

“Quem traz na pele essa marca
  Possui a estranha mania
  De ter fé na vida...”
                                                                    Por Regina Faria.


        O Dia Internacional da Mulher, celebrado no dia 8 de Março, tem como origem as manifestações das mulheres russas por "Pão e Paz" - por melhores condições de vida e trabalho e contra a entrada do seu país na Primeira Guerra Mundial. Nos Estados Unidos e na Europa essas manifestações já haviam surgido desde os primeiros anos do século XX, no contexto das lutas de mulheres por melhores condições de vida e trabalho, bem como pelo direito de voto.
        O fato de vivermos em uma sociedade que possui sua organização pautada na ideologia patriarcal induziu as mulheres à necessidade de grande mobilização de seus esforços em busca da garantia de seus direitos essenciais.
        Conforme Joseph Campbell os hebreus foram os primeiros a usar o termo pai para denominar o que até então era a Deusa Mãe ou Mãe Terra, a divindade da religião entre os antigos que cultuava as mulheres.
        Nas diversas tradições espirituais o antagonismo entre o feminino e o masculino está presente de maneira diferenciada. No cristianismo, primordialmente na Igreja Católica, Maria, a mãe de Jesus, é reverenciada deste os tempos primitivos. A Virgem Maria é também admirada pelos muçulmanos. Nos textos Bíblicos encontramos no Antigo Testamento, mulheres exercendo forte liderança e permanente papel na formação da consciência do povo hebreu. O Novo Testamento, não é diferente do Antigo Testamento, quanto à participação feminina na caminhada do Povo de Deus. Além de Maria a mãe de Jesus outras mulheres, acompanharam e permaneceram com Jesus em toda sua curta trajetória até o pé da Cruz.
        A filosofia Taoísta, por sua vez, tem em sua estrutura conceitual dois pólos arquetípicos – o yin e o yang – que conjuntamente dão a essência do Tao enquanto processo cósmico de continuo fluxo e mudança. Nesta concepção chinesa, todas as manifestações são geradas pela interação dinâmica desses dois pólos arquetípicos e todos os fenômenos naturais são manifestações de uma contínua oscilação entre estes dois pólos.
       De forma simplificada o arquétipo Yin está associado às seguintes características: noite, inverno, umidade, frescor, interior, feminino, intuitivo, sintético, receptivo. Por sua vez o arquétipo Yang está relacionado ao: dia, verão, secura, calidez, superfície, masculino, racional, analítico, agressivo. Se atentarmos para esta lista de opostos, é fácil perceber que nossa sociedade tem favorecido sistematicamente o yang em detrimento do yin. Somos fruto de uma visão cartesiana e mecanicista que caracterizou a revolução científica, desta forma nossa cultura está dominada pelo pensamento racional. Nossa geração sofre as conseqüências de uma busca insana alicerçada na crença de que o avanço tecnológico seria a solução para todos os males da sociedade. O conhecimento racional prevalece sobre a sabedoria intuitiva, a ciência sobre a religião, a competição sobre a cooperação, a exploração de recursos naturais em vez de conservação, e assim por diante. Nossos ideais estão centrados no individualismo exacerbado e na competição desmedida.
       Esta ênfase sustentada pelo sistema patriarcal durante os três últimos séculos acarretou um profundo desequilíbrio cultural que está na própria raiz de nossa atual crise – um desequilíbrio em nossos pensamentos e sentimentos, em nossos valores e atitudes e em nossas estruturas sociais, econômicas e políticas. A freqüente associação do yin com passividade e do yang com atividade enquadra as mulheres em um modelo de passividade e receptividade e os homens como ativos e criativos. Essas imagens buscam trazer uma explicação científica para manter as mulheres num papel subordinado, subserviente, em relação aos homens.
       Nas décadas mais recentes, conclui-se que todas essas idéias e esses valores estão seriamente limitados e necessitam de uma revisão radical. O declínio do patriarcado, o final da era do combustível fóssil e a mudança de paradigma que vivenciamos estão contribuindo para uma transição de dimensões planetárias. Estamos chegando a um momento decisivo em que necessário se faz uma revolução cultural na verdadeira acepção da palavra. A sobrevivência de toda a nossa civilização pode depender de sermos ou não capazes de realizar tal mudança. Com certeza, as mulheres possuem um papel primordial nesta transformação já em curso, pois mais do que ninguém conhecem os processos de gestação, nascimento e vida.